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Quando um parque eólico encerra sua vida útil e os aerogeradores e demais equipamentos são removidos, a desmontagem não é o fim do processo, mas o início de uma nova etapa de responsabilidade ambiental.

O descomissionamento deixa na área um perfil de degradação específico, formado ao longo de décadas de operação e intensificado pelas atividades de desmontagem: solo compactado por maquinário pesado, áreas expostas pela remoção de fundações, estradas de acesso que precisam ser recuperadas e alterações no relevo e na cobertura vegetal.

Esse perfil não é igual ao de outras áreas degradadas. E, por isso, a recuperação ambiental pós-descomissionamento não pode ser conduzida com estratégias genéricas. Ela exige um PRAD estruturado para as condições específicas que o descomissionamento cria.

Neste artigo, mostramos o que o descomissionamento provoca na área, por que esse perfil exige abordagem técnica diferenciada e como a Mato Grande Agroflorestal estrutura a execução do PRAD para esse contexto.

Acompanhe!

 

O perfil de degradação específico do descomissionamento

A instalação e operação de um parque eólico gera intervenções profundas no território. Durante décadas de operação, o solo absorve pressão constante de maquinário, tráfego e estruturas. Quando o descomissionamento ocorre, essas marcas precisam ser identificadas, mapeadas e tratadas com estratégia técnica adequada.

Solo compactado por maquinário pesado

Durante a instalação e a manutenção do parque eólico, o trânsito de veículos pesados — guindastes, caminhões, retroescavadeiras — é intenso e recorrente. Ao longo dos anos de operação, esse tráfego é mantido para manutenções periódicas.

A compactação do solo devido ao tráfego de maquinários é uma das principais ameaças à qualidade do solo. Não só reduz o volume dos poros, como altera sua geometria, afetando propriedades e funções fundamentais do solo.

Na prática, um solo compactado apresenta:

  • Redução da infiltração de água, aumentando o risco de erosão superficial
  • Dificuldade de penetração radicular das mudas implantadas
  • Menor disponibilidade de ar e nutrientes nas camadas mais profundas
  • Baixa capacidade de suporte à regeneração natural da vegetação

Dependendo do peso e da frequência do maquinário utilizado, a compactação pode atingir camadas profundas do solo, tornando o preparo da área uma etapa crítica antes do plantio.

Solo exposto pela remoção de fundações

As fundações dos aerogeradores são estruturas de concreto enterradas no solo. Quando removidas no processo de descomissionamento, deixam áreas com solo completamente exposto: sem cobertura vegetal, sem matéria orgânica superficial e com estrutura física alterada pela escavação.

Esse tipo de exposição aumenta significativamente o risco de erosão hídrica e eólica nas áreas sem cobertura, perda de camadas superficiais do solo onde se concentra a maior parte dos nutrientes, e dificuldade de estabelecimento da vegetação sem preparo técnico adequado.

Estradas de acesso que precisam ser recuperadas

Os principais impactos ambientais da implantação de parques eólicos estão ligados à terraplanagem, à impermeabilização e à compactação do solo, ocorridos devido à necessidade de construção das estradas de acesso para passagem de maquinários e equipamentos.

As estradas de acesso representam uma fração significativa da área impactada em um parque eólico. Após o descomissionamento, essas faixas precisam ser desativadas e recuperadas, o que envolve remoção da impermeabilização superficial, descompactação do solo, recomposição da cobertura vegetal adequada ao ambiente.

Alterações no relevo e na cobertura vegetal

Ao longo da instalação e operação de um parque eólico, há terraplanagem para nivelamento de áreas, cortes e aterros para adaptação do relevo e supressão de vegetação em diferentes extensões.

Nas áreas de instalação do parque eólico existem alterações parciais no solo, desmatamento e desequilíbrio na fauna e na flora. As alterações no solo e o desmatamento derivam da preparação do terreno para a instalação do canteiro de obras e para a abertura de estradas de acesso aos aerogeradores.

Após o descomissionamento, o relevo modificado e a cobertura vegetal suprimida precisam ser tecnicamente avaliados. Além disso, a estratégia de recuperação precisa considerar as condições reais que essas alterações criaram.


Por que esse perfil exige estratégias técnicas distintas

A combinação de solo compactado, áreas expostas, estradas desativadas e cobertura vegetal suprimida cria um cenário de degradação multifatorial, onde diferentes problemas ocorrem simultaneamente em diferentes áreas do mesmo projeto.

Isso diferencia a recuperação pós-descomissionamento de outros contextos de PRAD:

Cada área tem perfil de degradação diferente

A área onde estava a fundação do aerogerador tem condições distintas das estradas de acesso, que por sua vez diferem das faixas de supressão vegetal ao longo das vias. A estratégia de recuperação precisa ser definida por zona, e não aplicada uniformemente para toda a área.

O solo compactado precisa de preparo antes do plantio

Em recuperações convencionais, o preparo do solo pode ser mais simples. Em áreas pós-descomissionamento, o grau de compactação pode exigir descompactação mecânica — com subsoladores e escarificadores que atuam em camadas profundas — antes que as mudas possam ser implantadas com chance real de estabelecimento.

Existem equipamentos desenvolvidos especialmente para a descompactação mecânica do solo, com base na subsolagem e escarificação. O subsolador atua em profundidades de até 80 centímetros, rompendo camadas compactadas, melhorando a infiltração de água e permitindo que o solo receba as mudas e sementes.

A seleção de espécies precisa considerar as condições reais de cada zona

Áreas de solo exposto, áreas de estrada desativada e áreas de supressão vegetal têm condições diferentes de umidade, fertilidade e estrutura. Espécies que se adaptam bem a uma zona podem não ser adequadas para outra, e a escolha inadequada compromete a taxa de sobrevivência e a evolução da recuperação.

O monitoramento precisa acompanhar múltiplos perfis simultaneamente

Como as áreas têm origens de degradação distintas, os indicadores de evolução (cobertura vegetal, taxa de sobrevivência, controle de invasoras) precisam ser acompanhados separadamente por zona, permitindo identificar onde a recuperação está evoluindo conforme previsto e onde são necessárias intervenções corretivas.


O que a recuperação precisa reconstruir

A recuperação ambiental de áreas pós-descomissionamento tem como objetivo restabelecer as condições ecológicas que foram alteradas ao longo da implantação, operação e desmontagem do parque eólico. Isso inclui:

Estrutura e função do solo

Recuperar a porosidade, a capacidade de infiltração de água e as condições para desenvolvimento radicular por meio de descompactação mecânica, correção química e adição de matéria orgânica quando necessário.

Cobertura vegetal adequada a cada zona

Recompor a vegetação com espécies nativas adaptadas às condições específicas de cada área, considerando o grau de compactação, a disponibilidade de nutrientes e as características do bioma regional.

Controle de processos erosivos

Nas áreas de solo exposto, o risco de erosão hídrica e eólica precisa ser controlado desde o início da recuperação com técnicas de estabilização do solo e estabelecimento rápido de cobertura vegetal.

Trajetória de recuperação monitorada

Segundo a Instrução Normativa IBAMA nº 14/2024, a avaliação final do PRAD considera a trajetória de recuperação ambiental — a rota sucessional pela qual o ecossistema se desenvolve ao longo do tempo, observando se a área progride rumo ao estado desejado.


Como a Mato Grande Agroflorestal estrutura o PRAD para esse contexto

A Mato Grande Agroflorestal executa PRADs em empreendimentos de energia, estruturando a execução para as condições específicas que o descomissionamento cria em campo.

Esse processo envolve diagnóstico por zona antes da execução, preparo técnico do solo antes do plantio, seleção de espécies por zona, implantação estruturada com controle de processos erosivos e monitoramento contínuo com dados por zona.

 

Entre em contato com nossa equipe e veja como podemos apoiar a recuperação ambiental da área do seu empreendimento após o descomissionamento.

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